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MAPUTO  -  LOURENÇO MARQUES - Página 1
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R E S U M O    H I S T Ó R I C O

Desde tempos remotos que a zona a que chamamos Moçambique foi povoada por gente enraizada à terra, por nómadas,  e por conquistadores vindos de sítios longínquos, em busca das suas riquezas naturais e escravos. A história de Moçambique é demasiada longa, complexa e, frequentemente, obscura. Nestas páginas vão-se relatar alguns aspectos  do relacionamento  de Moçambique com o seu colonizador Português.



Mapa de Moçambique

Moçambique: As suas 10 províncias e capitais. (2005).

O Monte Binga, no Niassa, é o monte mais alto de Moçambique, elevando-se a 2436 metros.

Moçambique, situado no continente africano, foi uma antiga colónia portuguesa, mais tarde classificada Província Ultramarina. Tem fronteira com: Tanzânia, Zâmbia, Malawi, Zimbabwe,  África do Sul, Swazilândia, o Oceano Índico, e o Lago Niassa

Pêro da Covilhã foi, em 1489,  o primeiro navegador português a chegar às costas de Moçambique, na época dos "Descobrimentos Marítimos Portugueses".

Vasco da Gama desembarca em Inhambane a 11/1/1498, chamando à região a Terra da Boa Gente. Onze dias depois chega a Quelimane onde coloca um Padrão de S.Rafael, e a 1 de Março borda a Ilha de Moçambique. Em 1502, desembarca por uma segunda vez  fundando uma feitoria na Ilha de Moçambique.

Moçambique surgiu, a partir do século XV,  como uma série de feitorias (entrepostos comerciais, por vezes também com funções militares e diplomáticas, que um governo estabelecia numa zona sob seu controlo), sobretudo em Sofala que, por esta altura, era uma zona muito importante, uma mescla de várias culturas e etnias locais e "importadas" (negros, turcos, árabes, indianos, chineses, etc), um centro de  troca de várias mercadorias, escravatura, e do ouro extraído da região do Império de Monomotapa.


Moçambique, na costa oriental de África.

A zona da Baia do Maputo era  referenciada  como De Lagoa Bay (Baia da Lagoa) e já aparecia em mapas de 1502.
Mapa de Maputo

Nota : Manjacaze (Mandlakaze ou Mandlakasi) também aparece escrita como Manjacase.
Marracuene, já se chamou, nos tempos
 coloniais, Vila Luisa.

Em 1505, Portugal estabelece mais feitorias, sob a direcção de Pero de Anhaia, como a de  Quiloa. Em 1507, Duarte de Melo  constrói um terceiro forte, com hospital e igreja, na Ilha de Moçambique, dando início ao estabelecimento do domínio português nesta zona, contra a forte resistência dos árabes muçulmanos, impedidos de transportar ouro, marfim e tecidos nos seus navios, e vendo o seu florescente negócio de escravatura ameaçado.

A vergonha do Triângulo da Escravatura:
Inicialmente Moçambique tinha a capital na lha de Moçambique, um centro importante cultural e de comércio, incluindo o negócio da escravatura, nas mãos dos árabes muçulmanos, de conluio com indígenas locais, e ao qual os portugueses posteriormente se associaram.
Nota: Frequentemente confunde-se árabe com árabe muçulmano. Grande parte do antigo mundo tribal árabe só foi convertido à Lei Islâmica (Islão) a partir dos anos que se seguiram a 622,  (séculoVII, depois de Maomet, que fundara o Islão em 612, ter vencido os seus opositores), havendo  hoje árabes de todas as correntes religiosas, incluindo o cristianismo. Aos árabes muçulmanos (ou islamitas) que iniciaram a invasão da Península Ibérica (em 711, século VIII, comandados por Tarik  que venceu os cristãos na batalha de Guadalete), chamaram-se, mais vulgarmente, «Mouros», «Sarracenos», «infiéis», ou «maometanos».

É necessário repor a verdade histórica de que não foram os Portugueses, nem outros "europeus", nem os árabes muçulmanos, que inventaram o esclavagismo em África, em geral, e muito menos em Moçambique.

Em África, milhares de anos antes de qualquer europeu, ou árabe muçulmano,  lá ter posto os pés, já o negócio de escravos florescia não só no norte (Marrocos, Argélia, Tunísia, Egipto, Somália, Etiópia, etc ) como no centro e no sul, sobretudo entre o Senegal e o Norte de Angola, criado por régulos e chefes nativos, com os seus negreiros e contratadores, sendo os escravos normalmente obtidos através de guerras étnicas, assaltos a clãs vizinhos ou como punição por crimes de que eram, por vezes falsamente, acusados de ter cometido.
É conhecido, por exemplo, que os Lomuès (Macuas) de Moçambique, nos tempos idos, praticaram a escravatura em larga escala e que quando um chefe morria, com este eram enterrados escravos ou crianças vivas
A escravatura existiu em toda a parte do mundo, desde a pré-história.
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Escravo a ser punido
Um escravo seminu a ser publicamente chicoteado. Estirados no chão, dois outros escravos já teriam sofrido o mesmo vexame.
Crédito:  Biblioteca Nacional Brasileira

Um facto muito raramente apontado é que  a pobreza extrema em que muitos africanos viviam nesses tempos chegava ao ponto de os compelir para a escravatura voluntária, já que tinham assim assegurada a sua sobrevivência, a um preço desumanamente elevado. 

O número de escravos traficados está aquém dos cerca de 30 milhões sugeridos, devendo rondar, os 10/15 milhões.
a) Dos  traficados pelos Portugueses, uns poucos eram utilizados nas zonas de captura, mas a maioria seguia para as plantações do Brasil, embora alguns  acabassem em Portugal, e no resto da Europa, como "serviçais" e, uns poucos,  na América do Norte.

b) Do Brasil exportava-se, como fruto do trabalho desses infelizes, sobretudo o açúcar, o algodão e o tabaco.

Cacaueiro
Fruto do cacaueiro,
com uma noz aberta, expondo  as sementes.

c) Portugal pagava aos angariadores negreiros africanos com concessões políticas, dinheiro, contas, têxteis, álcool, mosquetes e outras armas, etc, formando assim um vicioso "comércio triangular" de lados:  Escravos --» Produtos agrícolas --» Pagamento.

São Tomé não só recebia escravos negros de África e chineses de Macau, prioritariamente para as suas grandes plantações do cobiçado cacau (a noz do cacaueiro é do tamanho de uma papaia média, mas tem a casca escura e dura), como cedia parte deles para o Brasil.


Uma "reciclagem" vergonhosa,
o "Comércio Triangular"

 Estes eram apinhados em condições sub-humanas em grandes e lentos barcos negreiros.

Barco negreiro
O espaço nos barcos negreiros era aproveitado ao máximo.
(Ilustração feita baseada noutra da
Biblioteca Nacional Brasileira)


O seu transporte nem sempre foi pacífico, havendo ocasionais motins e revoltas que, ou tiveram relativo sucesso, ou foram brutalmente dominadas.
Alguns escravos pereceram devido a várias doenças (diarreias, febres de vários tipos, malária, escorbuto, etc) ou foram mortos por piratas que facilmente se apoderavam dos barcos negreiros com pouca tripulação e mal armados.
Muitas mulheres e raparigas adolescentes foram "usadas" para satisfazerem a luxúria ocasional dos seus patrões e familiares, começando a aparecer gerações de mestiços, ou «mulatos», de origem escrava. No entanto, houve algumas uniões afectivas estáveis de brancos com negros.
Uma vez colocados nas plantações os escravos viviam em condições deploráveis de trabalho, alojamento, alimentação e tratamento social, tendo uma média esperada de sobrevivência de apenas 10 anos. Houve várias rebeliões e tentativas de fuga nos territórios onde eram internados. Sobretudo no Brasil deram-se revoltas bastante sangrentas e fugas de escravos para o interior do vasto território onde procuravam formar comunidades livres. Para combater este estado de coisas foi criado a posição de Capitães-do-mato, encarregados de capturar os escravos fugitivos.

Portugal foi dos primeiros países europeus a efectivamente abolir a escravatura, começando por publicar uma série de decretos restritivos a essa prática desde o século XV, e a partir do início do século XVII  tomou a fundo o desejo de abolir tal tráfico. Por exemplo, em 5 de Julho de 1856, aboliu a escravidão em zonas de Angola, Cabinda e Macau. A 18 de Julho do mesmo ano nova lei concede alforria a todos os escravos que desembarcassem em Portugal, Açores, Madeira, Índia e Macau. Em 25 de Abril de 1858, data do casamento de D.Pedro V, novo decreto determina que a escravatura e a escravidão acabariam em todo o território português em 1878, mas o tráfico de escravos foi definitivamente encerrado em 1869.

Após a abolição da escravatura por Portugal nas zonas terrestres e marítimas sob seu controlo, continuou o trafico ilegal dando-se incidentes como o aprisionamento, por portugueses, do barco Charles et Georges nas costas de Quitangonha. A Marinha de Guerra portuguesa capturou, nas costas da África Ocidental e Oriental vários navios negreiros, não só de portugueses renegados, mas ingleses, americanos, franceses, holandeses, árabes e brasileiros.

Nos E.U.A, um país ocidental acusado de ter fomentado a escravatura, esta foi por decreto abolida em 1808 nos Estados do Norte e em 1865 nos do Sul. Em contrapartida, por exemplo, em Zamzibar, um notório centro de escravatura, esta foi abolida em 1897 e, no Nepal, só em 1925. É curioso que o livro sagrado dos muçulmanos, o Corão, legitima a existência de escravos, embora estipule que devam ser tratados humanamente.


O fim da escravatura no Maláwui?
Foto:Jean Béliveau (wwwalk.org/)

Curiosidade: O letreiro ao lado desta árvore reza que foi debaixo dela que o Dr.Livingstone negociou com o chefe nativo local, o fim da escravatura  no Maláwi.

Os cidadãos do mundo moderno devem uma sentida homenagem aos milhões de escravos (incluindo incontáveis crianças), de todas as etnias que foram capturados, transportados, escravizados e explorados de uma maneira brutal, e não esquecer que ainda hoje, em vários países africanos, (todos eles independentes!) se pratica a escravatura em moldes não muito diferentes de há séculos e, noutros países, continua a haver variantes da vergonhosa "exploração do homem pelo homem", para vários fins.

O ouro branco:



Selo emitido em 1981

O selo à direita, mostra quão importante o tráfico de marfim  foi para Moçambique, e o selo à esquerda reafirma que o elefante continua a ser um animal importante na sua cultura.

A caça ao elefante, mais pelas presas do que pela carne, tornou-se num desporto e num rendoso negócio, levando à matança indiscriminada destes animais que várias vezes levaram a melhor, derrubando com a tromba e presas os caçadores desprevenidos e, de seguida, esmagando-os com as patas.

Moçambique tem um  património faunístico muito rico, e os elefantes fazem parte do pacote de safaris de caça grossa dos " 5 Grandes": Elefante, rinoceronte, búfalo, leopardo, e leão. (The Big Five, na gíria de caça dos ingleses). Destes 5 animais, os caçadores consideram o búfalo o mais perigoso, mas um facto curioso é que mais indígenas são mortos por hipopótamos, do que por qualquer outra "fera".

Os 5 Grandes - The big five
 «Os Cinco Grandes»          «The Big Five»

Num  hipopótamo adulto, os dentes caninos do maxilar inferior podem ser enormes como se vê na figura  e os dois longos incisivos centrais apontam para a frente como lanças. Nas lutas entre hipopótamos, estes dentes podem causar sérios ferimentos.

 Boca de hipopótamo   Hipo mouth
           Hipo mouth
Foto::
www.geocities.com/Vila_luisa/

Hipopótamo e a sua enorme boca
The hipo, "the big mouth"

Os ataques de hipopótamos a pessoas dá-se geralmente nas proximidades das margens dos rios e a pirogas, afundando-as e matando os seus ocupantes. O homem é quase o seu único predador  já que apenas uma família composta por muitos leões, actuando conjuntamente, consegue matar um hipopótamo que se tenha aventurado em busca de alimento, para longe da segurança do rio.

Piroga

Uma piroga, podendo levar 5 pessoas, feita de um tronco escavado, e que requer grande perícia no seu uso, já que é manejada de pé, usando remos em pá, sem forqueta nem tolete.

As pirogas Moçambicanas são pequenas canoas, estreitas, geralmente feitas de um tronco de árvore escavado a machado ou com fogo, de juncos amarrados ou mesmo de pele. 

À piroga também se chama, ocasionalmente, almadía ou armandia, termo de origem Berbere que foi arabizado (Al-ma'adia) e difundido pelos Portugueses na época de expansão, e significa barca de duas proas. O termo passou a definir outros tipos de embarcações, algumas de comprimento entre 20 a 30 metros,  de quilha pontiaguda e uma só querena, e até podendo incluir velas.  Posteriormente passou a estar mais associado ao transporte de troncos de árvores, amarrados juntos, formando uma jangada que permitiu aos madeireiros o seu transporte rio abaixo.

Em Burgui, na Navarra, uma pequena e bonita região autónoma em Espanha, são famosos os festejos do Dia da Almadia.

Almadia

Uma Almadia, segundo um desenho em "Los 21 libros de los ingenios" por Juan de Lastanova. 
Vulgarmente, duas, ou três, destas almadias eram acopladas em jeito de comboio.

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Antes de África ser invadida por estrangeiros, os seus povos indígenas caçavam mais para obterem carne para alimento e penas e peles para vestuário, ornamento, cama para dormir, construção de casas e pirogas, do que por qualquer outro motivo, embora já usassem o marfim dos dentes de animais (elefante, hipopótamo, etc) para artesanato, e com ossos e dentes fizessem colares e apetrechos  de feitiçaria .

Salvo raras excepções
, as "feras" só tendem a ser agressivas quando se sentem ameaçadas pelo homem, ou o consideram um "intruso" do seu território a ser expulso, geralmente preferindo evitar o contacto com ele. Outro animal a respeitar nos rios é, evidentemente, o crocodilo que convive com o hipopótamo, com poucos conflitos entre eles, já que se agrupam em zonas separadas.

A caça de animais selvagens está controlada por lei, mas há muito caçador furtivo. As presas dos elefantes são exportadas  como matéria prima para o fabrico de ornamentos e ... carimbos! Os "chifres" do rinoceronte também são exportados para esses países devido à fama (totalmente infundada) de terem poderes afrodisíacos, e a pele dos felinos acaba transformada em tapetes de luxo. Cinco magníficos animais, sacrificados à ganância, e ao prazer de matar... com uma poderosa arma nas mãos?

Por que motivo Maputo, se chamou Lourenço Marques?

A baía onde se encontra hoje Maputo já fazia parte de mapas datados de 1502, e a cidade herdou o seu nome de Lourenço Marques, o primeiro navegador e piloto português a fazer um reconhecimento profundo em 1544 (Em Portugal reinava D. João III), da região ao sul conhecida pelos locais como Baía dos Mpfumos ou Baía dos Chefes, mais tarde conhecida pela Baía da Lagoa  (Delagoa Bay para os Ingleses), que se tornou palco de disputas e intrigas internacionais devido à sua localização estratégica, e que depois, entre outros nomes, foi chamada Baía de Lourenço Marques e ainda Baía do Espírito Santo. Após a independência, mudou para o nome mais nativo de Baía do Maputo.

O explorador Lourenço Marques, nas suas explorações, estabeleceu contactos e acordos com os chefes locais, que permitiram criar bases de comércio e os fundamentos para a presença dos portugueses no sul de Moçambique.

Em 1752, os portugueses desvincularam Moçambique, administrativamente, das "Índias Portuguesas" e instalaram um administrador autónomo. Em 1878/79, com as explorações de Serpa Pinto, tentaram unir Angola a Moçambique, sem sucesso, face à forte oposição inglesa.

Em 1720-21os Holandeses fundaram uma feitoria no Catembe (ca Tembe, terra dos Tembes), de onde foram expulsos.
Austríacos do aventureiro William Bolts ergueram, em 1777, uma feitoria no mesmo local para comércio de escravos, que é destruída em 1781 por uma expedição portuguesa vinda de Goa.

Para melhor controlo da situação, Joaquim de Araújo, o primeiro governador de L.M., estabelece em 1782, na margem esquerda da baía, onde existia uma feitoria holandesa e de onde depois nasce a cidade de L.M, um posto militar ou Presídio, que se vai transformando num forte (Fortaleza de N. Sª. da Conceição), acabado de construir em 1787. 

À direita, a reconstruída fortaleza  de Nª. Sª. da Conceição, onde agora está instalado o Museu Histórico de Moçambique, e que foi um bastião defensivo nas "Guerras de Pacificação".

A árvore que se vislumbra e que fica à entrada da fortaleza, é uma relíquia, pois nela os guerreiros Vátuas  enforcaram em 1883, o capturado governador do Presídio, nome que era dado à fortaleza.

Em 1796 piratas franceses arrasam o forte, mas acabam por abandonar a zona, atacados por malária e outras doenças e, em 1799, os portugueses voltam a reconstruí-lo.


Our Lady of Conception's Fortress where it is installed the Mozambique Historical Museum

A 9 de Dezembro de 1857 (reinado de D Luiz I) é criada a Câmara Municipal da povoação de L.M.

A área da margem direita da baía de L.M. é palco de disputas territoriais por vários anos sobretudo com a Inglaterra que, em 1861, quer açambarcar todo o sul incluindo as ilhas de Inhaca e dos Elefantes, onde manda içar a bandeira inglesa, que os portugueses em 1870 retiram, expulsando os usurpadores.

Portugal concorda em submeter o problema de posse destas áreas à arbitragem do marechal Mac-Mahon, presidente da República Francesa, o qual em 24/7/1875 reconhece os direitos de Portugal sobre os territórios em disputa. 

Como agradecimento por esta decisão, nasce em L.M. a Praça Mac-Mahon, apresentada na foto ao lado,  com o prédio da Estação do Caminho de Ferro ao fundo. Parte da estátua comemorativa aparece à esquerda, na foto.

Outros acordos fronteiriços foram os de 1886 e 1890 que fixaram as fronteiras com as possessões alemãs, e os de 1891 e 1893 com as possessões britânicas.


    Mac-Mahon' Square  and Railway Station

Em 1876 L.M passa a ter estatuto de Vila e, a 10 de Novembro de 1887 (reinado de D.Luiz I, seu patrono) é elevada à categoria de cidade.

No selo (ampliado) ao lado, comemorativo do centenário da fundação da cidade, a zona  entre a área arborizada e a cidade era  semi-pantanosa. O Forte, ou Presídio, é a construção quadrada que se destaca isolada à beira rio e, à sua frente, a zona arredondada é a Praça Picota.

Depois da descoberta de ouro em Witwatersrand, na África do Sul, L.M. inaugura em 1895 ligações ferroviárias com aquele país (contrato de construção da linha é estabelecido em 1883), torna-se um importante entreposto e, a partir de 1897/98 L.M. passa a ser a capital administrativa de Moçambique.

A guerra da "Pacificação de Moçambique"

As "Campanhas de Pacificação", como foram na altura chamadas as duras campanhas militares portuguesas, levaram à submissão dos povos indígenas de Moçambique que por um lado não aceitavam ser colonizados e, por outro lado, queriam tirar partido de querelas territoriais sobretudo entre Portugal e Inglaterra. Algumas destas campanhas foram desastres militares para os portugueses, chegando Lourenço Marques a ser atacada várias vezes, como sucedeu por exemplo em 1833 em que o governador do Forte Português (Presídio) foi capturado e enforcado pelos Vátuas e, depois, em 1868 e em 1894.


"Centenário da fundação da cidade de Maputo"


"Porto de Lourenço Marques" e "Ilha de Moçambique"

No ataque de Outubro de 1894, as hostes indígenas, em grupos militares chamados mangas, sob direcção dos chefes, Matibejana, Maazul e Angundjuane, romperam as 3 linhas defensivas que a protegiam, sitiaram-na e saquearam-na, livrando-se Lourenço Maques da total destruição graças à intervenção dos barcos de guerra portugueses fundeados no seu porto e que, bombardeando o sitiante, o forçou a retirar-se.

A Campanha de Gaza, no tempo do "Comissário Régio" António Enes, foi uma das últimas, da qual se destaca:
Caldas Xavier, vence os Vátuas na batalha de Marracuene, e...
A 28 de Dezembro de 1895 Mouzinho de Albuquerque, domina e prende Ngungunhane, o chefe (régulo) dos Vátuas mais conhecido entre os portugueses por Gungunhana, no seu quartel geral em Chaimite.

GUNGUNHANA, o "Leão de Gaza":

A ascensão de Gungunhana (data de nascimento seria entre 1850 e 1858) à chefia  do seu povo, em 1884, dá-se após mandar assassinar Mafemane, o irmão, legítimo herdeiro ao trono. É uma longa história de luta pelo poder, recheada de traições, começada pelos seus antecessores, de etnia Nguni, também chamados Vátuas e Aungunes, pelos portugueses, um ramo dos Zulus da África do Sul, fugindo da guerra civil na zona de sua origem. Os aguerridos Nguni entraram pelo sul de Moçambique, dominaram os povos autóctones (Chopes, Tsongas, Vandas, Bitongs) que encontraram na área, e fundaram o  Império de Gaza, que ocupava áreas não só de Moçambique, mas também da Rodésia, e da África do Sul, tendo por capital Manjacaze.

Gungunhana, ao princípio colaborou com os portugueses, chegando a ser nomeado "coronel de segunda linha".
Instigado por forças estrangeiras que queriam dominar a região, rebelou-se, atacando colonos, tendo os seus guerreiros oposto forte resistência aos militares portugueses, mas foram batidos em vários recontros, esmagados pela superioridade do equipamento bélico (metralhadoras, canhões, espingardas de repetição) dos portugueses que eram, por vezes, ajudados por tribos rivais aos Vátuas.

Depois de Manjacase ter sido tomada e incendiada pelos portugueses, Gungunhana, em desespero, refugiou-se em Chaimite, seu couto e a aldeia sagrada  do Império de Gaza, um Kraal  fortificado, de cerca de 25 palhotas. 


De nada valeu o destemor e a superioridade numérica Vátua, contra o empenho e a  superioridade bélica do adversário    (Gravura de domínio público)


Aí, oferece sacrifícios humanos ao avô e a outros antepassados em troca de protecção divina. Perante a intransigência de Mouzinho, Gungunhana  tenta-o apaziguar com a entrega, traiçoeira, do régulo tsonga Nwamatibyane, que se acolhera sob a sua protecção.

Mais tarde envia emissários com dádivas de libras em ouro, dentes de marfim, búfalos, e outros presentes valiosos, e chegou mesmo a mandar o seu próprio filho Godide com o mesmo fim.

De nada lhe valeu este estratagema, acabando por ser aprisionado, praticamente sem resistência da parte dos seus 300 guerreiros armados de espingardas, por Mouzinho de Albuquerque a 28 de Dezembro de 1895, comandando uma força simbólica de 46 soldados, 2 oficiais e um médico, europeus, e alguns centenas de auxiliares indígenas, como a gravura ao lado ilustra. Notar habitação tipo palhota, dos indígenas ao tempo.

De seguida é deportado com 7 das suas mulheres secundárias (tinha 3 mulheres principais), e outros familiares, para Portugal, a bordo do vapor "África"  que fundeia, após uma difícil viagem de dois meses, na manhã de 13 de Março de 1896, no Tejo, frente a Cacilhas, ficando preso no Forte de Monsanto.

Captura de Gungunhana
Gungunhana arrested

Mouzinho e Gungunhana
Mouzinho e Gungunhana


Em Portugal, Gungunhana é desumanamente humilhado e manuseado como troféu de caça preciosa  e, finalmente, desterrado para a Ilha Terceira, onde chega a 27 de Junho de 1896. Aí goza de uma certa liberdade e respeito, chegando a ser baptizado com o nome de Reynaldo Frederico Gungunhana. Morreu 11 anos depois, vitimado por uma hemorragia cerebral, a 23 de Dezembro de 1906, com a idade provável de 56 anos. Foi enterrado no cemitério de N.ª S.ª da Conceição, e em 15 de Junho de 1985 as suas supostas ossadas regressam a Moçambique, sendo considerado um símbolo da resistência anticolonialista.

Para completar a "pacificação" de Moçambique foram necessárias outras campanhas militares, destacando-se a submissão dos Macololos por João de Azevedo Coutinho. Na realidade, no princípio do século XX ainda se desenrolavam campanhas de ocupação e de pacificação, que só terminaram com o fim da I Grande Guerra.

Quanto a Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, regressado a Portugal, acabou por ser nomeado Oficial-Mor da Casa Real e responsável pela educação do que teria sido o futuro rei de Portugal, o Príncipe D.Luiz Filipe. Provavelmente desiludido, o homem considerado patrono da Cavalaria Portuguesa e que fora governador  e até Comissário Régio, posto equivalente a Vice-Rei, de Moçambique, suicida-se a 8 de Janeiro de  1902.
D.Carlos e seu filho, o príncipe herdeiro D. Luiz Filipe, foram assassinados a 1 de Fevereiro de 1908.
A 4 de Abril de 1953 foi estreado no Monumental, em Lisboa, o filme Chaimite, rodado em Moçambique,  do realizador Jorge Brum do Canto.

Nota:

Chaimite era um lugar da circunscrição de Chibuto no antigo distrito de Lourenço Marques. Infelizmente, apesar de todos os esforços feitos pelo webmaster, não foi ainda possível encontrar um mapa em que tal local histórico esteja assinalado.

O selo ao lado ilustra "Um oficial de Sipaio, em 1807". O sipaio (sipai ou sipal) era uma espécie de polícia e tropa auxiliar, indígena, que obedecia às ordens de um seu superior europeu. É um termo que deriva do Persa, sipahi. Crê-se que foi uma categoria militar  criada pelos ingleses na Índia, que podia ter um subchefe não europeu.


Agrupamento de sipaios indígenas, e seu comandante europeu, no período colonial.
Crédito: Parte de uma foto, autor desconhecido, propriedade de Prof. Henrique Martins.  

Sipaio
"Oficial de Sipaio"

A dança dos nomes provinciais:

A divisão administrativa de Moçambique alterou-se ao longo do tempo, com províncias mudando de nome (assinaladas a cores) e de área abrangente. Notar que no mapa referenciado 1911-18 aparecem duas largas áreas com o nome de Companhia de Moçambique e  Companhia do Niassa, dois mini-estados com fortes interesses comerciais, que as controlavam.


A Companhia de Moçambique foi fundada em 1888 por J.C.Paiva de Andrade, J.P.Oliveira Martins e outros, sobretudo para a exploração de minérios, tornando-se, mais tarde,  uma companhia majestática.

 A Companhia do Niassa, de natureza majestática,  administrou o norte a partir de 1897.

A região norte assinalada Lago, no mapa de 1947, mudou o nome para Niassa por decreto nº 39858 de 20/10/1954.

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A Grande Guerra, de 1914-1918: (Este assunto transcende a finalidade deste site, pelo que apenas se pretende lembrar que Moçambique sofreu com esta, por envolvimento directo, e com a Segunda Guerra Mundial, pelas privações que indirectamente lhe causou, mas que não evitavam que os colonos moçambicanos enviassem periodicamente alimentos ( como arroz, açúcar, óleo), e roupas para os seus familiares mais carecidos em Portugal metropolitano.).

Esta guerra ficará na história como sendo a primeira em que se envolveram muitas nações, se usou material bélico bastante poderoso, tecnologia electrónica relativamente avançada, bombardeamentos em massa em que localidades foram totalmente arrasadas levando a morte indiscriminada a dezenas de milhar de civis, espionagem e tácticas sofisticadas e se usou, em larga escala, a arma química e submarinos.

A Alemanha declarou guerra a Portugal em 9 de Março de 1916, como represália por Portugal ter enviado tropas para França, ajudando os Aliados na luta contra eles, mas iniciou as hostilidades muito antes, com um ataque ao posto de Maziúa, na fronteira do Rovuma, que destruiu, matando o chefe do posto e incendiando palhotas vizinhas.


Soldado  do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.), numa trincheira, durante esta guerra, com um «foguete S.O.S». 

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O Governador de Moçambique preparou a defesa do território, incluindo a chamada de tropa metropolitana e o uso de barcos de guerra como o crusador Adamastor e a canhoneira Chaimite, em operações na foz do Rovuma.

Em Abril de 1916 o Corpo Expedicionário Português recupera Quionga, que tinha sido ocupada pelos alemães em 1894 e, em 1917, dá-se uma invasão Alemã da zona do Rovuma.


Os Alemães querendo alcançar Quelimane, atacam também a Zambézia mas são parados em Namacurra e impedidos de atravessar o rio Macuze.
Foi uma guerra instável, num constante ganha/perde, devido a erros  de julgamento da força e das intenções dos alemães, e a um certo desconhecimento no melhor uso de novas armas e tácticas militares, causando muitas mortes entre militares europeus e indígenas moçambicanos. Desenvolveu-se mais na fronteira norte de Moçambique em áreas adjacentes à África Oriental Alemã.

«A Guerra Ultramarina», ou «Guerra Colonial», ou «Guerra pela liberdade», a luta (final) indígena pela independência de Moçambique.

A Frelimo, (Frente de Libertação de Moçambique) foi  fundada em 25 de Junho de 1962, sob os auspícios do Presidente da Tanzânia,  Julinus Nyerere, resultando da fusão de 3 movimentos nacionalistas já existentes:
UDENAMO - União Democrática Nacional de Moçambique;
MANU - Mozambique African National Union (cópia da KANU, do Quénia?);
UNAMI - União Nacional Africana para Moçambique Independente.

O grito de liberdade, contra "o racismo, a opressão, o roubo de propriedade rural, o trabalho forçado ou mal pago, a exploração da riqueza moçambicana, as dificuldades de acesso ao ensino (estima-se que 90% da população negra era analfabeta, o que a impedia de exercer cargos de importância), etc", teve origem pré-Frelimo, e começou a esboçar-se  já em Junho de 1953 pelo levantamento de Machanga.
Em 16/6/1960, houve a sublevação de Mueda, no planalto dos Macondes em Cabo Delgado, que acabou com o massacre de perto de 500 nativos pelas autoridades portuguesas. Uma das consequências deste massacre foi que os Macondes endureceram a sua resistência e iriam tornar-se nos maiores aliados da Frelimo.

A Frelimo teve vários campos de treino, sendo o seu primeiro deles criado na Tanzânia, em Bagamoyo, posteriormente transferido para Mpitmbi, significando Campo Novo ou New Camp.
Nachingwea foi o seu principal campo de treino  onde estiveram estacionados instrutores chineses, e tinha a possibilidade de acomodar centenas de homens. Outro importante campo foi o de Matchedje. Em 1963, os primeiros 50 quadros moçambicanos iniciaram o treino na Argélia.

A resistência anticolonial tornou-se mais estruturada  no decorrer de 1961 após a independência de Tanganica (Tanzânia de hoje), e a 15/8/1964 começa a entrada em Moçambique de guerrilheiros, vindos da base de Mtwara, Tanzânia.

Em 24/8/1964, dá-se o assassínio do Padre Daniels, da Missão do Chitolo, (Nangolo), seguido de vários ataques a civis, domicílios e  lojas comerciais no "mato", isto é, contra alvos a que os inglese chamam de "soft targets" e que mancharam a imagem da Frelimo.

Para os colonos moçambicanos é esta a data de começo da luta armada nativa, apelidada, à altura, de «acto terrorista».

A Frelimo desmentiu que  tais actividades, contra alvos civis, tenham sido perpetradas por guerrilheiros sob seu controlo já que queria projectar a imagem de ser um movimento político e militar, organizado, de «libertação nacional» e, para ela, oficialmente, começou a sua campanha anticolonialista a 25 de Setembro de 1964, com ataques de uma dúzia de guerrilheiros, chefiados por Alberto Chipande, na província de Cabo Delgado.

No livro, SAMORA, UMA BIOGRAFIA, por Iain Christie, pode ler-se: «A acção mais marcante  foi dirigida, em 25 de Setembro de 1964, contra um posto administrativo português na Vila do Chai, a norte de Macomia, perto do rio Messalo. Vários ataques foram realizados nessa mesma altura, mas o único caso devidamente relatado foi a operação contra o Chai, tudo levando a crer que os primeiros tiros da guerra foram disparados aí, resultando na morte do chefe do posto e de mais 6 portugueses» 

O 25 de Setembro tornou-se 

O Dia das Forças Armadas , feriado nacional em Moçambique independente. A seguir, está uma lista dos outros feriados moçambicanos.

Inicialmente as armas preferidas pelos guerrilheiros (os colonos chamavam-lhes «turras», abreviatura de terroristas) foram as catanas (grandes facas de lâmina comprida e larga, usadas para corte de mato e cana de açúcar, e como arma nativa de defesa na selva contra predadores), zagaias, flechas e lanças, em emboscadas no «mato» (terra bravia geralmente de capim alto ou arvoredo serrado) e no assalto silencioso a povoados, sobretudo pela calada da noite ou alvorada. Possuíam também  carabinas de pequeno calibre e as famosas espingardas artesanais, os «canhangulos».  sendo alguns muito rudimentares, consistindo num tubo de canalização amarrado a um pedaço de madeira e um sistema percutor pouco fiável, mas outros tinham uma construção muito apurada, parecendo-se com mosquetes. Carregados, geralmente pela boca, com pregos e outros pedaços de metais tinham, a curta distância, um efeito devastador. Outros carregavam normalmente com cartuchos vulgares, calibre 12 e 18, de caçadeiras comerciais.

Rapidamente as catanas e os canhangulos foram complementados por minas terrestres, granadas  RPG-7, a espingarda automática Ak-47, e por material mais sofisticado como metralhadoras pesadas e antiaéreas e (1974) mísseis Sam-7, morteiros, etc. Na página 2, desta série, encontram-se  fotos de algum deste armamento.
As primeiras baixas das tropas regulares portuguesas dão-se a 16/11/1964 na região de Xilama, Cabo Delgado, e as minas anticarro e antipessoais, provocaram muitas mortes e estropiados entre os militares portugueses e civis. Em Agosto de 1967, a Frelimo abate um avião militar T-6 (click para imagem) com fogo de metralhadora antiaérea, causando a morte do piloto. A 21 de Junho de 1969 um batelão com  121 militares portugueses afunda-se, acidentalmente, matando os seus  ocupantes, etc.

Um mistério por decifrar.

A 26 de Abril de 1971 o navio Angoche é encontrado à deriva na costa de Moçambique, sem vestígios dos seus 22 tripulantes e do seu único e não identificado passageiro, um mistério que persiste até aos dias de hoje.
Segundo um relatório preliminar, de um agente da PIDE:

«O navio Angoche levava material para a nossa Força Aérea, material sofisticado, essencialmente material explosivo, bombas para os aviões, etc, e creio que ia para Porto Amélia. Soubemos que o Angoche foi abordado em 23 de Abril de 1971 por um submarino da União Soviética e que os seus tripulantes foram levados para a Tanzânia, para a base central da Frelimo, Nachingwea  e, mais tarde, executados ... havia manchas de sangue em vários pontos do navio...  fala-se que houve oficiais da Marinha Portuguesa, hoje oficiais generais, que estariam envolvidos nisso».

Para adensar o mistério, o relatório oficial, detalhado e secreto, conservado na DGS-PIDE em Lisboa, desapareceu após o golpe militar Lisboeta de 25 de Abril de 1974.

Paquete Angoche
 Um segredo bem guardado: O que se passou neste Angoche? (Foto de um postal)

Foi uma luta dura, com graves excessos cometidos quer pelos militares portugueses quer pelos guerrilheiros da Frelimo. Nesta guerra o exército português chegou a recorrer a químicos fazendo pulverizações de lavras, para limitar o sustento da guerrilha como, por exemplo, o cultivo de mandioca e batata doce, e provocar a desfolha de vegetação e arvoredo, facilitando o acesso a objectivos militares, mas nunca usou tais químicos directamente contra populações.

Quando a guerra colonial eclodiu, o exército português estava mal equipado, com material antiquado e inadequado, e a única aparente vantagem que tinha sobre os guerrilheiros era a posse de alguns aviões, carros de combate, artilharia e meios mecanizados de transporte militar, mas estes meios eram de utilidade  limitada face às condições do terreno. Para complicar mais a vida a Portugal, a guerra alastrou a várias frentes, com as revoltas nas outras colónias, obrigando a um enorme esforço financeiro (quase 40% do orçamento português tinha a ver com despesas do exército) e logístico de provimento de tropa e material bélico, sobretudo com respeito a Angola e Guiné onde os guerrilheiros estavam muito bem equipados e organizados.

A Frelimo tinha a  vantagem duma forte e legítima motivação, de conhecer bem o território e razoável apoio de parte das populações rurais (e da Tanzânia, por exemplo) que, quer voluntariamente, quer coagidas a tal, lhe davam guarida e campos de treino clandestinos, alimentação, guerreiros, auxílio financeiro, e informação logística.

Com o decorrer dos anos a actividade militar da Frelimo, no norte e centro de Moçambique, aumentou, assim como a pressão internacional sobre Portugal e a propaganda antiguerra, em Portugal, do ilegal Partido Comunista Português.
Estes factores de erosão conjugados com o conhecimento da existência de rendosos negócios de candonga (mercado negro), praticado por elementos bem posicionados no exército português, e rumores de encontros secretos entre portugueses da esquerda política e responsáveis da Frelimo, desmotivaram as tropas metropolitanas.
Não só houve elementos da Frelimo que desertaram para o lado português, como houve militares portugueses que se passaram para o outro lado. No dia 1 de Agosto de 1974, uma companhia portuguesa estacionada no norte, em Omar, na ausência do seu comandante e interpretando mal as intenções da Frelimo, entrega-se a esta e é conduzida prisioneira para a Tanzânia.

No entanto, não se pode dizer que os portugueses estavam a perder a guerra em Moçambique (pelo contrário!), mas havia uma forte suspeita de que o esforço militar estava a ser sabotado por parte de militares da alta chefia, com vista a criarem o clima de desalento necessário ao desencadear do 25 de Abril.

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O primeiro Presidente da FRELIMO foi o Dr.Eduardo Chivambo Mondlane, nascido em 1920 em Gaza, e assassinado a 3 de Fevereiro de 1969, numa sede da Frelimo, em Dar-es-Salam, quando abriu uma encomenda postal armadilhada, enviada da República Federal da Alemanha.

Samora Machel
sucede-o, como presidente da Frelimo e  responsável pela estrutura e eficácia das suas forças militares, com o apoio de Marcelino dos Santos e Uria Simango.

Com o golpe militar do 25 de Abril de 1974, em Portugal, de inspiração social-comunista, também chamada a "Revolução dos Cravos", a descolonização dos territórios ultramarinos foi iniciada.

 A 18 de Maio de 1974 o Governo Português pede aos dirigentes da Frelimo que apresentem condições de paz, com vista a acabar com a guerra colonial naquele território e, como gesto de boa vontade, são libertados 440 presos políticos da penitenciária de Machava, em Moçambique.


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Selo (ampliado) comemorando o 10º aniversário da morte de E. Mondlane.
Além da Ak-47, ilustrada no selo, a Frelimo dispunha de outro material 
bélico, ligeiro e pesado.

Teoricamente, os actos bélicos acabam em Moçambique com o  Acordo de Lusaka de 7 de Setembro de 1974.

À direita está um selo "pomba de paz" comemorativo do acordo de Lusaka.
O  Presidente Kaunda, mentor do acordo visitou, pela primeira vez, Moçambique em 20/4/1976 e, por essa altura, nos selos foi impressa uma alusão a essa visita.

Este acordo origina uma revolta (7 a 17 de Setembro), em Lourenço Marques e Beira, por alguns portugueses e moçambicanos. A retaliação dos guerrilheiros da Frelimo e de seus apoiantes causou dezenas de mortes e grande destruição, gerando o pânico e o início do êxodo de milhares de residentes, para Portugal, África do Sul e Rodésia.

Esta tentativa de sublevação não só não teve o apoio da maioria da tropa regular portuguesa como, a partir de 10 de Setembro, esta tropa ajuda no transporte de militares da Frelimo, para que estas possam controlar pontos estratégicos de Moçambique e repor alguma ordem.

A 21 de Setembro de 1974 é então  formado um Governo de Transição tendo Joaquim Chissano por Primeiro Ministro, mas um mês depois, em Lourenço Marques, elementos armados da Frelimo envolvem-se em confrontos com comandos das forças militares portuguesas, do que resultam vários mortos

Este Governo de Transição conduziu os destinos de Moçambique até à sua independência a 25 de Junho de 1975.

RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana) surgiu em 1976, após a independência de Moçambique. Foi acusada de ter sido criada pelos serviços secretos Rodesianos, e de receber apoio logístico da África do Sul, com o fim de sabotar a Frelimo e as guerrilhas anti-Rodesianas com bases em Moçambique. Esta acusação foi refutada pela Renamo.

A Renamo, sob chefia de Afonso Dklakama, que começara por pertencer ao exército português, depois desertou para a Frelimo e depois abandonou-a e constituiu a Renamo, combateu a Frelimo até à assinatura do Acordo Geral de Paz, Roma, em 4 de Outubro de 1992,  com a comissão governamental chefiada por Armando Guebuza. 

Os primeiros contactos que conduziram ao acordo foram feitos em 1989 em Nairobi, seguido de um encontro secreto em  Sant’Egidio em Julho de 1990.

O Acordo de Paz que consiste em sete protocolos separados e quatro documentos correlativos, estipulando especificamente a protecção dos direitos humanos básicos e das liberdades individuais e, entre outras directivas, a desmobilização dos dois exércitos, que só ficaria completa dois anos depois, com a criação de um novo exército unificado, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

A Renamo é (ano 2005) o maior partido político da oposição.


Bandeira Nacional da República Popular de Moçambique
Mozambique National Flag

Samora Moisés Machel, nascido a 29 de Setembro de 1933, em Xilembe, província de Gaza, e sucessor de Mondlane, foi nomeado o primeiro Presidente da República (tendo Joaquim Chissano por Primeiro Ministro), impondo um austero Estado Socialista de partido único, a Frelimo, e combatendo a Renamo. Estima-se que 250 000 pessoas tenham deixado Moçambique, por esta altura. 

Em 1982, tropas do Zimbabué são chamadas, para proteger oleodutos e linhas ferroviárias entre Mutare e a Beira dos ataques da Renamo, e permanecem até 1993.

Pouco antes da  sua morte, S. Machel, confrontado com uma economia decrépita e com os efeitos devastadores da guerra civil, inicia diálogo com a R.A.S. Pelo Acordo de Nkomati, a África do sul cessa o seu apoio à Renamo, e Moçambique cessa o apoio à ANC, a guerrilha nacionalista da África do Sul, o que criou um certo mal estar no núcleo duro da Frelimo.

Em 1985, um piloto militar da Frelimo, deserta para a África do Sul, levando consigo um Mig-17(clique para ver a imagem)

Samora Machel morreu em 19 de Outubro de 1986 quando o avião em que viajava embateu numa montanha (falha humana, técnica, ou acidente provocado?) na  localidade sul-africana de Mbuzini (Mbuzine), relativamente perto da fronteira com Moçambique e Suazilândia, morrendo todos os seus tripulantes e passageiros.

Monumento Mbuzini
Monumento em Mbuzini (Mbuzine) a Samora Machel, visto de lado.
Foto: www.mol.co.mz

O monumento em Mbuzini, construído em 1999, tem na zona à frente, uma plataforma em que estão ancorados 35 tubos de aço com cerca de 9 metros de altura, com fendas, de tamanho variado, em diferentes sítios. 

O vento actuando sobre eles transformam o sistema num instrumento sonoro eólico, cujo murmúrio musical depende da intensidade do vento. Por baixo da plataforma, sob os tubos, há um espaço vazio que serve de caixa de ressonância. O monumento parece ser uma enorme cunha penetrando o monte.

Este memorial foi desenhado por Dr. José Forjaz , um arquitecto radicado em Moçambique.  (www.joseforjazarquitecto.com)

Graça Machel, a viuva de Samora Machel,  casou-se em 17/7/1998 com Nelson Mandela que, na altura, era o Presidente da República da África do Sul.

Nelson Mandela e Graça machel
 Nelson Mandela e G. Machel

Samora Machel e Chissano
Samora Machel / Joaquim Chissano

Em 1986, como consequência da morte de Samora Machel, Joaquim Alberto Chissano, nascido a 22 de Outubro de 1939 na aldeia de Malehice, distrito de Chibuto, província de Gaza, é nomeado Presidente da República.

No congresso de Julho de 1989, a Frelimo renuncia ao marxismo-leninismo. Uma nova constituição foi adoptada em 1990 e é adoptado um novo nome ao país, República de Moçambique.

Em 1994 Chissano vence as primeiras eleições multipartidas de Moçambique, e em 1999 é novamente  reeleito.
Em 1995 Moçambique foi admitido na Commonwealth, que é uma associação de países, e respectivas colónias, do velho império britânico. A adesão fez-se porque Moçambique encontra-se rodeado por membros dessa organização e, há vários anos, tem participado nas reuniões como observador.

A Frelimo torna-se mais aberta, faz as pazes com a Renamo (Acordo de Roma de 4 de Outubro de 1991, acabando com uma guerra civil de 16 anos que feriu ou matou perto de 1 milhão de pessoas e provocou uns 3 milhões de deslocados, incentiva o investimento internacional, a indústria de turismo, e introduz o país à "economia de mercado".

Moçambique começa a dar os primeiros passos em direcção a um sistema multipartidário, em busca do bem estar dos seus cidadãos e de reconciliação, quer a nível  nacional, quer com o seu passado colonial.
Em 2000-01, Moçambique é fustigado por cheias que causam grandes prejuízos e deixam muita gente sem teto e alimento.

Segundo o governo moçambicano, até ao ano de 2004 «já foram destruídas um stock de 37.878 minas antipessoal no quadro do Tratado de Ottawa sobre a proibição destes artefactos explosivos, e o programa de desminagem permitiu a destruição de mais de 38 mil minas anti-pessoal e de 35 mil peças de artilharia não detonadas».

Em Dezembro de 2004, realizaram-se novas eleições a que Joaquim Chissano não se candidatou, e que foram ganhas pelo candidato da Frelimo,  Armando Guebuza, um próspero empresário, que nasceu em 1994 em Nanpula, e juntou-se em 1963 à Frelimo. É casado com Maria da Luz Guebuza e tem 4 filhos.

(A foto ao lado é de um boletim informativo oficial da Frelimo).

Guebusa
  A. Guebuza

Foi ministro da Administração Interna e do Interior no governo de Chissano, e o seu nome ficou associado à norma 24/20 (ou20/24) de 1974, assim chamada por impor aos portugueses descontentes com o novo rumo político que abandonassem Moçambique em 24 horas com 20 quilos de bagagem.

Em 1980 envolve-se com outra decisão contenciosa ao ordenar que milhares de pessoas, por entre desempregados, marginais e outros, fossem compulsivamente levados para os chamados campos de reeducação. 

Em 1990 foi nomeado chefe da delegação que começou a negociar o Acordo de Paz de Roma com a Renamo.

Em Junho de 2002 foi eleito secretário-geral da Frelimo. Em 2004, ganha as eleições presidenciais, substituindo Chissano, mas incorporando no seu novo governo várias das personagens políticas do governo anterior. Em Março de 2005, na IV sessão do Comité Central da Frelimo, a presidência e chefia desta passa, por renúncia de Chissano, para as mãos de Armando Guebuza

Chissano pretende retirar-se da vida política e dedicar-se a uma fundação que, com o seu nome, visa «promover a paz e o desenvolvimento em Moçambique, em particular, e em toda a África».

Chissano recebeu (17/02/05) o grau de Doutor Honoris Causa em Ciências Políticas e Relações Internacionais, em Portugal, sendo um novo Doutor da Universidade do Minho. Durante a investidura proferiu um discurso crítico da acção dos antigos colonizadores sobre os povos de África e exigiu um pedido de desculpas destes, incluindo Portugal, sobre as atrocidades cometidas: «Até hoje, ainda não se prestou uma verdadeira homenagem aos povos africanos, pela contribuição que deram para a acumulação do capital, e ainda não foram apresentadas desculpas oficiais pelas atrocidades cometidas».

Jorge Sampaio, presidente da República de Portugal bem como o seu antecessor Mário Soares, que abrilhantaram a cerimónia, ouviram atentamente a intervenção de Chissano mas não teceram qualquer comentário à exigência de Chissano.

Note-se que vários países europeus e os E.U. A. perdoaram a Moçambique, até agora, centenas de milhões de dólares da sua dívida externa.

Alguns dados sobre a terra e povo de Moçambique

Capital: Maputo, na província do mesmo nome.

Área: 801590 km2 (17500 km2 de águas interiores), dividida em 10 províncias :Maputo, Gaza, Inhambane, Tete, Sofala, Manica, Zambézia, Nampula, Niassa, Cabo Delgado.

Clima: De subtropical (sul) a tropical (norte)

Línguas: Português (oficial), cerca de 33 línguas e dialectos indígenas,  Inglês (escola secundária)

Religiões: Tradicional africana, Cristã (Católica e Protestante), Islâmica, Hindu, e outras.

População: Perto de 19 000 000, algo afectada por SIDA e outras doenças tropicais.

Há vários modelos que tentam dar um panorama do caleidoscópio étnico Moçambicano, por vezes discordantes. De um modo sumário:
A Norte do Lambesse temos sobretudo o grupo Marave, e o grupo dos Macuas-Lómuès.


Selo de uma "tombazana"
(rapariga, em Landim) com pote na cabeça.

A Sul do Rio Zambeze, até à zona norte do Maputo temos sobretudo o grupo Tonga, subdividido em Ronga, Changana,e Tsua, e o grupo Chona.
Na zona mais a sul do Maputo temos, entre outros, os Augunes setentrionais, com as variedades dos Suázis na Namaacha e dos Angonis na região do Dómuè (planalto da Angónia). No litoral Norte temos os Suális

Noutras zonas de Moçambique temos grupos  como: Na região de Inhambane, os Chopes, subdivididos em Valengues, Chopes e Bitongas. Na região do Niassa temos os Ajauas. No Cabo Delgado encontramos os Macondes. Também encontramos os Chicundas (ou Nhúnguès de Tete), os Tauaras da Chicova, os Cachomba, os Máguèe Changara (mistura de Chonas e Nhanjas), etc. Foi nas áreas ao longo do Rio Zambeze, que se verificaram mais cruzamentos entre indígenas, árabes, orientais e europeus. 

Uma bonita rapariga  Macua, de Nampula, com a cara pintada com muciro  (musiru ou m´siro) feito, por esmagamento, de uma raiz-caule.

Algumas delas  cobrem todo o corpo com uma  capulana (insunque), que é um pano ornamentado ligeiro, do tamanho aproximado de um lençol, deixando apenas o rosto pintado a descoberto. Outras, furam o lábio superior ou o nariz para poder colocar um ornamento.

As raparigas do interior dedicam-se à feitura de variados artigos de palha, e de objectos de escultura sobretudo em pau-preto e olaria  Foto: http://members.tripod.com/gambuzino/


Tatuando o ventre

A iniciação licumbi  masculina nos Macondes  inclui um ritual pirolátrico e a Dança das máscaras (Mapico), em sanzalas, usando máscaras grotescas aos olhos de estranhos mas que, para os Macondes, têm um significado muito importante social e religioso.

Todos os rapazes são circuncidados seguido de um período de reclusão de 3 meses.

Estas danças são modernamente exploradas como atracção turística, em Cabo Delgado, ou como dança banal sem as máscaras.

As raparigas são iniciadas segundo o ritual chiputo.


2 tipos de máscaras usadas no Mapico ritual

Os Macondes de áreas rurais gostam de se tatuar  e de afiar os dentes, com fins de identificação ou estéticos, alguns deles furam o lábio superior e põem um ornamento, o pelele.  Dedicam-se à escultura em madeira e marfim. 

A máscara Mapico mais à esquerda mostra uma tatuagem facial vulgar de se encontrar, na realidade,  em homens Macondes. Há máscaras especiais para mulheres, de aspecto mais suave, e é através da abertura na boca destas, colocada à altura dos seus olhos, que as mulheres vêem mas, por vezes, a máscara é substituída por uma pintura similar à das mulheres Macuas. Geralmente, as raparigas assistem ao Mapico mas não fazem parte desta dança em que é vulgar os dançarinos e os músicos trocarem de actuação entre si.

As guerras tribais, as guerras de Pacificação e Colonial, as catástrofes naturais, a fome, e a migração para os centros urbanos em busca de novos horizontes, provocaram ao longo dos tempos grandes deslocações da população dentro de Moçambique e para o seu exterior e alteração aos seus hábitos de vivência, mas ainda hoje se encontram grupos étnicos vinculados às zonas tradicionais, e às suas  tradições ancestrais de escala social (como serem do tipo patrilinear ou matrilinear) aos seus rituais fúnebres, à religião, aos rituais de iniciação, à existência ou não de compensação (lobolo) no casamento e às regras de comportamento pré-matrimonial. Por exemplo, nos meios rurais mais conservadores:

Nos Macondes é aceite o casamento entre primos cruzados, são proibidas as relações sexuais até ao casamento, há pagamento de dote ao tio da noiva e, como já indicado, existem rituais de iniciação nos rapazes e nas raparigas. Os Macondes costumavam emprestar e trocar as mulheres entre si mas, por estranho que pareça, o crime passional não era invulgar.

Nos Ajauas há iniciação masculina e feminina (com desfloração), exigência de continência mensal aos casados.

Nos Chonas é exigida uma virgindade pré-matrimonial que é controlada por exames físicos e são aplicadas sanções efectivas aos prevaricadores, sendo proibido o casamento entre primos cruzados e paralelos.

Nos Suaílis há circuncisão masculina, e no matrimónio é exigida uma virgindade antecedente.

Nos Tongas há iniciação dos rapazes (com circuncisão) e das raparigas, existência de relações que chamam pré-matrimoniais e casamento progressivo com lobolo.
Nos Maraves, as raparigas são iniciadas no chinamuáli, após a puberdade, com preparação para a vida, mesmo íntima, podem casar aos 14 anos e não se dá importância à virgindade pré-matrimonial. Os rapazes casam aos 20 anos e são iniciados no nbau, com máscaras e danças.

Nos Macuas - Lomuès é frequente a iniciação feminina (com desfloração artificial), prostituição hospitaleira e  troca de mulheres, tudo segundo regras bem definidas. Fora destas regras, o adultério é considerado uma ofensa e maldição.


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Cabeças esculpidas em pedra, por artistas Macuas.

 

Esculturas em Pau Preto,
por artistas Macondes. 


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Acácia-rubra (Delonix regia)

Em Moçambique estão em exploração 5 Parques Nacionais, 6 Reservas, 12 Coutadas e 9 Áreas de Vigilância Especiais, que protegem, e exploram turisticamente, a imensa e variada fauna bravia espalhada por todas as províncias deste país.

 A sul da cidade do Maputo, na Província do Maputo (rever mapa da zona do Maputo, mais acima), na foz do rio com o mesmo nome, está a Reserva de Elefantes, ou Reserva de Maputo, igualmente famosa pela exuberante quantidade de flamingos.

Jacaranda acutifolia

A Jacarandá, de belas flores azul-violeta que fazem lembrar  trombetas. Atinge alturas de 4 a 10 metros e a copa pode cobrir mais de 4 metros de diâmetro  (Foto: Wikipédia)

Flora: Tem grande diversidade de tipos de vegetação, de pequeno a grande porte e flores, por exemplo, a Acácia-rubra (Delonix regia), a Jacarandá (Jacaranda Acutifolia) e o Embondeiro (Adansonia oligitala).

Estima-se que tem mais de 5500 espécies de plantas vasculares.

Geomorfologia: Deserto, savana, floresta, mato, mangais.

Hidrografia:
O slogan «do Rovuma ao Maputo» tem raiz no facto do rio Rovuma ser o rio mais ao norte de Moçambique, nascendo na Tanzânia e servindo de fronteira a Moçambique por um troço de cerca de 630 km, e o rio Maputo que está quase no limite sul do país.


Embomdeiro  (Adansonia oligitata): Um gigante Moçambicano.
Comparar diâmetro do tronco e altura da árvore com indígenas assinalados com rectângulos a branco. Anexada, a imagem de um embondeiro jovem e viçoso.

Pelo meio tem vários rios dos quais se vai apenas mencionar: Lugenda, Messinga, Luchilingo (afluentes do Rovuma), Lurio, Ligonha, Zambéze, onde está a barragem de Cabora Bassa, Save, Limpopo, Messala, Ligonha, Licungo, Pungé, Buzí, Gorongosa, Inharrime, Incomáti, Tembe, Matola, Umbelúzi, etc.

Exportações principais
:
Energia eléctrica de Cabora (Cahora) Bassa,
camarão, algodão, castanha de caju, açúcar, frutas e raízes tropicais (papaia, pêra abacate, manga, mandioca, batata doce, etc), chá, copra, amendoim, metais, artesanato, turismo rural.


Barragem Cabora Bassa,
no Rio Zambéze.


Nota: Não se deve trincar a casca da castanha do caju ou o seu miolo crus, pois ambos contêm óleos e ácidos muito irritantes e venenosos. 

A castanha de caju que se compra nos estabelecimentos, foi tratada, geralmente por torrefacção ou fritura, o que suprime os elementos nocivos.

O fruto, propriamente dito, é comido ao natural. Se for espremido e o sumo posto a fermentar, este produz uma  bebida fortemente alcoólica.

O  caju: A= Flor do cajueiro ; B= Castanha seccionada mostrando casca e miolo.
 C= Castanha inteira ; D= Miolo da castanha ;
 E= Fruto e castanha ; F= Folha do cajueiro


A foto ao lado  ilustra um papaieira carregada de fruta,  ainda um pouco verde. Esta árvore é um tanto ou quanto estranha pois pode ter uma, duas ou três tipos de flores: Masculinas e/ou femininas e/ou hermafroditas, e pode mudar estas características por razões nem sempre bem entendidas. As sementes, dentro do fruto, são  arredondadas, um pouco rugosas e pretas. Há vários tipos de papaias, mas geralmente são agrupados em duas famílias principais: papaia tipo mexicana e papaia tipo havaiano.


Nota: Ao separar-se o fruto da árvore ou ao cortar-se uma folha ou ramo, liberta-se uma seiva esbranquiçada que, se cair sobre os olhos causa grande desconforto e pode até provocar cegueira temporária ou permanente.


Esta seiva barrada em carne crua torna-a mais macia após cozinhada. A papaia é uma fruta saudável, nutritiva e com propriedades medicinais, podendo ser comida simples, em salada, transformada em doce, etc.

Recursos Naturais:
Produtos  não alimentares: Energia hidroeléctrica, gás, carvão, minerais, madeiras.
Produtos agrícolas: Açúcar, arroz, caju, cânhamo, chá, copra, mapira e mandioca, milho, sisal, girassol, gergelim, rícino e mafurra, soja, tabaco, algodão, amendoim, citrinos, banana, manga, pêra abacate, e outros frutos tropicais e europeias.
Gado:
Asinino, bovino, caprino, cavalar, ovino, suíno.


A papaieira pode atingir vários metros de altura
e ter grandes cachos com fruta. O tronco é relativamente frágil, quebrando com facilidade. Por isso as papaieiras de cultivo controlado são substituídas quando  atingem uma altura um pouco acima da desta imagem.
Foto: Jean Béliveau



A semente da pêra abacate, envolta numa pele escura, é rija, feita de duas metades, e do tamanho de um ovo. A deliciosa  e nutritiva fruta come-se, simples ou polvilhada de açúcar e umas gotas de sumo de limão, ou como legume, na salada de alface  e tomate. Os ingleses condimentam-na com pimenta.


Em Moçambique há muita fruta  suculenta 
como é o caso do ananás. Ligeiramente ácido, (não é tão doce como o abacaxi) é comido
 simples, em salada de fruta, compota, etc.


Vendendo mandioca, uma raiz comestível. 
Foto: Jean Béliveau (wwwalk.org/)


Um quadro ilustrando folhas de Chá
A planta do chá é um pequeno arbusto.
O Chá Licungo, de Moçambique,  é famoso
internacionalmente.

Pesca: tem um mar fartamente piscícola, rico em peixe, camarão, moluscos, etc.

Fauna selvagem mais vulgar: Antílope, avestruz, búfalo, elefante, girafa, hiena, hipopótamo, impala, javali, leão, leopardo, rinoceronte, zebra, crocodilos, ofídios, macacos, aves como flamingos e muitas outras, etc.

Moeda: Metical (MT), muito desvalorizado. O Dólar Americano é a moeda "comercial" preferida, seguida do Euro

Feriados Nacionais:.

1 de Janeiro Dia de Ano Novo   25 de Junho Dia da Independência
3 de Fevereiro Dia dos Heróis   7 de Setembro Dia da Victória
7 de Abril Dia da Mulher   25 de Setembro Dia das Forças Armadas
1 de Maio Dia dos Trabalhadores   25 e 26 de Dezembro Dia de Natal

Nas escolas sob a alçada da  Escola Portuguesa de Moçambique-Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), festeja-se igualmente o Dia de Portugal, o Dia da Escola, o 25 de Abril, os Santos Populares e o Magusto, com a presença da comunidade portuguesa e moçambicana que se associa à EPM-CELP.


Selos evidenciando a preocupação do governo com a educação e cuidados sociais. Respectivamente legendados:
O primeiro selo: Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes - Havana-Cuba 
Os outros quatro: 7 de Abril, Dia da mulher moçambicana

Algum armamento terrestre, usado pela Frelimo e pelo exército Português.
calhangulo
Fuzis «Canhangulos», usados inicialmente por alguns dos guerrilheiros da Frelimo
Cortesia J. Fonseca

Uma das variantes da famosa Kalashnikova AK-47,
(«Kalash») a arma preferida dos guerrilheiros. 
Um lançador de RPG-7. Este tipo de granada pode ser adaptado a uma espingarda, como a Ak-47 Uma mina  anticarro e antipessoal
A espingarda automática G3, popular no exército Português,
e corte parcial  ilustrando o seu interior, segundo  um manual militar.

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A Bravia Chaimite, na Guerra Colonial e nas forças militares da República  de Moçambique.

 A

Chaimite, um pequeno veículo blindado militar 4X4, foi usado na guerra colonial, sobretudo a versão V-200. O seu desenho é baseado no original norte-americano, o Cadillac Gage Commando, e foi  fabricada  em Portugal  pela Bravia.

Pode ser equipada com diverso equipamento como, 1 pequeno canhão sem recuo e metralhadora de duplo cano, como aparece na foto principal, um lança mísseis ou lança granadas ou morteiros, ou  apenas uma metralhadora, etc.
Acoplado à frente, pode levar  uma roda sobressalente, um guincho, ou outro apetrecho conveniente.
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chaimite
 Chaimite V200, e camião militar de transporte.
Portuguese light armored  "Chaimite"

Na foto também se mostra um camião militar de transporte de infantaria, muito usado nessa guerra, e que era modificado para resistir melhor às minas, e assim haver menos fatalidades.
Estes veículos foram adoptados pelo novo Exército Moçambicano.


Quartel Geral da Colónia de Moçambique (1950).
Army H.Q, in  Lourenço Marques, colonial times.
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Face principal da velha nota de 100 escudos (1961). Tamanho reduzido a cerca de 50%

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Fonte:
http://joaogil.planetaclix.pt